Poucas competições no mundo podem dizer que atravessaram dois séculos. A Cowes Week acaba de fazer isso. A regata britânica, disputada nas águas do Solent, na Ilha de Wight, encerrou na sexta-feira a sua 200ª edição, com um dia cheio de raias seguido de uma premiação que reuniu a comunidade da vela mundial.
Os números explicam por que ela é considerada a maior regata do gênero no planeta: foram cerca de 5 mil velejadores e 641 barcos inscritos, de veleiros clássicos a projetos modernos de competição, divididos em dezenas de classes que disputam ao mesmo tempo o mesmo pedaço de mar.
Um troféu criado para o bicentenário
A organização quis marcar a data com algo novo, e criou a Bicentenary Gold Cup. A sacada esteve no formato: o troféu foi decidido pelos resultados dos três primeiros dias, o que deu chance real de vitória a todos os 641 inscritos, e não apenas às tripulações de ponta.
A taça ficou com o High Spirit, um Contessa 33 timoneado por Andy Maskell, na classe Club Cruiser D. É o tipo de resultado que traduz o espírito da regata: um barco de cruzeiro levando o troféu comemorativo de um evento que também recebe profissionais.
Os vencedores das principais classes
Na classe XOD, uma das mais tradicionais e disputadas, com 60 barcos na raia, a vitória geral foi do Lone Star, de Phil Lawrence, Nick Froud e David King.
No Black Group, o Contessa 32 Solan Goose, de Ben Rogers, levou a melhor sobre o quarter tonner BLT, de Sam Laidlaw, numa disputa decidida na ponta.
E a classe RS21, que fez sua estreia justamente na edição do bicentenário, teve como campeão o White Oryx, comandado por Crispin Winser.
O prêmio que fala do futuro
Entre todos os troféus entregues, um chama a atenção pelo simbolismo. A jovem tripulação alemã do Stoertebeker, que competiu na classe IRC Zero, levou dois reconhecimentos: o de melhor barco de treinamento e o prêmio de Sustentabilidade, concedido a quem navegou o maior número de milhas sem emissão de carbono.
O mérito tem uma história boa por trás: eles velejaram de Kiel, na Alemanha, até Cowes para disputar a regata, em vez de transportar o barco. É a prova de que sustentabilidade, no mar, também se mede em decisões práticas.
Por que isso importa para o Brasil
Uma regata que chega aos 200 anos mostra o que a vela pode construir quando existe continuidade: tradição, calendário, público e uma economia inteira girando em torno de um evento. Marinas cheias, hotéis ocupados, serviços náuticos aquecidos e uma cidade que se organiza em torno do mar.
É exatamente o caminho que o Brasil vem trilhando com regatas que se consolidam ano após ano, e um lembrete de que o esporte náutico é também motor de turismo e de economia do mar. Duzentos anos depois, a Cowes Week segue provando isso a cada agosto.
Por: Redação Mundo Mar
Foto: Divulgação Cowes Week · @atilastudioo / @tidalpulsemedia / @paulwyethphotography







